Sempre
fui um venerador do silêncio. Adorei desde que me lembro os momentos em que não
havia ruídos ou frases que me dispersavam em mim mesmo. Cultuei com os maiores
afincos as ausências das perturbações fonéticas que sempre me tiraram do eixo.
Mesmo o silêncio do pensamento nunca me fez qualquer mal.
E neste exato momento convivo com esse meu adorado. E agora
a ótica é outra, pois ele vem quando eu não o esperava.
Desde que me acostumei com essa melodia nova, de som
agradável e exótico, de personalidade inquieta e instigante, pude perceber que
seria possível descobrir nela tons e notas totalmente inovadoras para o meu eu.
É ruim quando a música é interrompida antes do final (ou do
que você julga ser o final).
Outro dia sonhei que ouvia uma música que não tinha fim.
Como algumas cousas na vida, a música é boa porque nos toca.
Obviamente que podemos e somos tocados por outras artes (das acadêmicas e as da
vida), mas desconheço algo que atinja a alma com tanta precisão quanto à
música.
E se apenas ouvir já nos faz seguir viagens a mundos
distantes, tente imaginar vivê-la!
Pois a vida é música. Melhor, a vida é uma música. Música esta
que é ouvida por nós mesmos e pelo mundo.
Somos a música que quisermos ser. Com toda a polifonia a
qual julgamos ter direito.
E neste momento espero que a minha melodia volte a tocar,
mais vívida do que jamais fora.
*escrito originalmente em 20/12/2011.