segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Natal



Quando acordei, estava lá, embaixo da árvore decorada, destacado dos demais por um belo embrulho, com motivos clássicos, mas muito chamativo.

Não lembro muito bem como se deu, apenas me encantei.

Fui, apertei o pacote junto a mim, tentando prolongar ao máximo aquele delicioso suspense de tentar adivinhar o que me aguardava. Já não podendo mais me conter, rasguei a embalagem, como quem rasga o limite da estratosfera, quem rompe a barreira do som.

Como era lindo!

Era realmente o que eu desejara e, agora, com ele em mãos, parecia-me que sempre o tinha esperado e que tinha nascido para possuí-lo.

Brinquei, brinquei e brinquei. Não havia criança mais feliz que eu. Todas as possibilidades de felicidade de uma criança estavam contidas em mim e todas as possibilidades de me enriquecer, este brinquedo oferecia.

De repente o tempo passou, e o que tinha sido interessante, brilhante, lindo e instigante já não me estimulava tanto. Sentindo isso, a coisa se despedaçou em minhas mãos (depois de tantos anos, algo de minha consciência aponta que talvez os fatos não se sustentem nesta versão, embora eu não tenha certeza, faz tanto tempo...).

Relembrando, vejo que não há explicação para quase nada. Eu havia mudado, ou a coisa havia mudado pra mim. Não sei, mudou-se.

Já era Outubro, mês das Crianças e, com a certeza de um novo presente, segui.

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