sexta-feira, 14 de junho de 2013

Legítima Mídia

A mídia tradicional e estabelecida, que nunca entendeu sobre a população geral, hoje, para sua grande surpresa, não consegue manejar a população geral, como sempre fez. Não a população informatizada e que, aos trancos e barrancos, torna-se politizada e consciente da ordem social, e da recorrente deturpação desta ordem (na corrupção, abuso de força empregada pelo Estado, entre outros...), porque esta população não está sentada de frente pra TV dizendo amém ao Jornal Nacional. Essas pessoas estão na internet, onde o pensamento e a opinião são mais livres, para o bem ou para o mal. Da classe C em diante, na escala alfabético-social, nas grades metrópoles ao menos, a família típica brasileira desses estratos sociais contém ao menos um jovem informatizado, conectado. É esse jovem que irradia a segunda opinião dentro do núcleo familiar, fazendo a massa familiar brasileira pensar e ponderar sobre o que vem da mídia “oficial”. Daí resulta a resposta à pergunta do Datena, sobre a aprovação popular a uma manifestação mais enérgica. O brasileiro nunca mais será tão iludido quanto antes, a não ser que assim ele queira.

A internet joga essas mesmas pessoas para a rua, porque uma coisa é você ler um panfleto sobre um manifesto, outra coisa é você ver seu amigo, seu irmão, te incitando a luta pelo que ele acredita ser melhor para a sociedade, e pelo que você concorda  pessoalmente ser melhor para a sociedade também.

Se hoje a renda segue não democratizada, ainda formando o abismo entre a classe média pra cima para as subjacentes, a informação, esta sim, já se demonstra muito mais democratizada; e que objeto pode ser mais essencial ao combate à desigualdade econômica que o acesso a esta informação?
A informação desde já é uma responsabilidade social e democrática de fato!

Que o cidadão comum se sinta responsável por informar a verdade dos fatos. Que isso seja uma obrigação moral de cada indivíduo, pois agora ele sabe que detêm nas mãos os meios.

De uma coisa não há dúvidas: quaisquer que sejam os resultados destas manifestações em curto prazo, há de se ver no horizonte um novo tempo para a informação/mídia brasileira (desde que os brasileiros assim desejem e mantenham).


Fonte: http://issoaglobonaomostra.tumblr.com/image/52928339400

sábado, 30 de março de 2013

Burned Bridge



Link

“I burned all my opportunities
I’m not afraid to end up alone
‘Cause I was born alone
So I’ll burn all my bridges
There’s no chance of return
I just go ahead
And I won’t look back
Smiling or crying
That’s all a lie
A lie of my true life”

Andre Wottom

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Natal



Quando acordei, estava lá, embaixo da árvore decorada, destacado dos demais por um belo embrulho, com motivos clássicos, mas muito chamativo.

Não lembro muito bem como se deu, apenas me encantei.

Fui, apertei o pacote junto a mim, tentando prolongar ao máximo aquele delicioso suspense de tentar adivinhar o que me aguardava. Já não podendo mais me conter, rasguei a embalagem, como quem rasga o limite da estratosfera, quem rompe a barreira do som.

Como era lindo!

Era realmente o que eu desejara e, agora, com ele em mãos, parecia-me que sempre o tinha esperado e que tinha nascido para possuí-lo.

Brinquei, brinquei e brinquei. Não havia criança mais feliz que eu. Todas as possibilidades de felicidade de uma criança estavam contidas em mim e todas as possibilidades de me enriquecer, este brinquedo oferecia.

De repente o tempo passou, e o que tinha sido interessante, brilhante, lindo e instigante já não me estimulava tanto. Sentindo isso, a coisa se despedaçou em minhas mãos (depois de tantos anos, algo de minha consciência aponta que talvez os fatos não se sustentem nesta versão, embora eu não tenha certeza, faz tanto tempo...).

Relembrando, vejo que não há explicação para quase nada. Eu havia mudado, ou a coisa havia mudado pra mim. Não sei, mudou-se.

Já era Outubro, mês das Crianças e, com a certeza de um novo presente, segui.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Diálogo


Ernesto:
- Augusto, seu coração já te impediu de ter uma noite tranquila?

Augusto:
- Ah, o amor... Estamos lá e de repente...

Ernesto:
- Não, não! Não se trata de amor. Minha gastrite está em perfeito estado!

Augusto:
- Do que se trata então?

Ernesto:
- É sobre a batida dele. Ele bate muito alto à noite, terrivelmente alto. É impossível dormir com um coração tão escandaloso!

Augusto:
- Bom, não é mesmo de bom tom um coração impedir seu dono de dormir.

Ernesto:
- Por Deus! Eu fecho os olhos e parece que estou num frigorífico.

Augusto:
- Sente-se com frio?

Ernesto:
- Não, sinto silêncio. E de repente é aquele barulho que ecoa no quarto inteiro.

Augusto:
- Talvez quando ele parar de bater você durma em paz.

Ernesto:
- É uma esperança...



domingo, 27 de janeiro de 2013

Grandes Esperanças

Há como não absorver aquilo que te cerca?

Há como não ser um pouco daquilo que se absorveu, voluntariamente ou não? Temporariamente ou não?

Qual o sentido da mudança, e por que mudar? (Uma questão um tanto quanto morta, posto que se muda e ponto!)

O que me levaria a encarar monstros já tão conhecidos se não a esperança de poder vencê-los, desta vez, e dividir com quem importa o prazer da vitória?

Grandes Esperanças.

A conclusão é de que não há como fugir e que talvez seja exatamente esta a intenção.

Doce tortura e terrível prazer. Nada compreensível e tudo tão claro. Doce tortura e terrível prazer. Nada compreensível e tudo tão claro!

Grandes Esperanças, mantenham-se!

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Tendo


Tendo a ter a mim mesmo,
Ao final do dia.
E não é o que basta,
Mas é o que é meu.

Tendo a ter a mim mesmo,
Ao final de tudo.
E não é o que me supre,
Mas é o que não me escapa as mãos.

Tendo a não ter rima, nem jogo,
Mas tendo a ter,
Se sentindo o bruxuleante fogo,
O sentido do que é ser

Tendo a esquecer,
Que nada tenho.


Daqui aqui

terça-feira, 24 de julho de 2012

Bloody Mary


Mary I of England (1516-1558), the Bloody Mary
Imagem daqui

Talvez eu não seja a pessoa mais delicada do planeta, mas não chego a ser a mais insensível.

Me delicio com os prazeres deste mundo e sofro pelas mazelas dele.

A vida nunca fez sentido a maior parte do tempo, embora tenha sido bastante sentida e vivida até o momento presente.

Fosse minimamente reduzida a intensidade do que é sentido e eu não sei se suportaria.

Funciona basicamente como um motor que trabalha com períodos cíclicos. De tempos em tempos ele dá um impulso que manda tudo para a beira do precipício e, logo depois disso, exige que se tente encontrar uma explicação lógica para o que é e uma motivação para o que virá, sem, sob todas as luzes da razão, ignorar o que foi.

Eu não sei o que as pessoas esperam de mim e, naturalmente, adoraria descobrir. Porém, receio que não seja possível, e não por desinteresse – que fique claro – e sim por conta do tempo. Sim, do tempo! Eu não tenho muito dele no meu estoque, então creio que devo usá-lo sabiamente e esse tipo de curiosidade não está no topo da minha lista de prioridade. É uma questão de praticidade e eficiência, como pode ver.

Obviamente que isso não me faz ignorar essas pessoas e, no melhor dos meus esforços, eu posso recomendar que, então, não esperem muita coisa. Não que eu não tenha o que oferecer – modestamente, penso que sou capaz de ser muito útil, sempre que desejar – a coisa toda se repousa no pequeno detalhe de que nem tudo o que é esperado vem e, nem sempre, quando vem, chega do modo como foi aguardado. Juntando-se a isso o fato de que desconheço (na sua grande maioria) o que é esperado de mim, vejo evidentemente no horizonte a nuvem negra que é o risco de despontar alguns desapercebidamente. Logicamente, não é nada confortável viver sob os auspícios de tamanha tempestade. Tentar me livrar dela torna-me uma pessoa egoísta, muito embora não só eu venha a ser beneficiado por tal atitude.

Há de se convir que não sabemos tudo, porém, não deixamos de pertencer ao todo. Engraçado.

O tempo passa e, se você for sincero e desapegado a nostalgia, perceberá o quando e por onde mudou, e quem e o que mudou. Difícil, na maioria das vezes, é saber por que mudou. E o homem teme a ignorância como um fator regressivo a sua posição inteligente e racional. Toda vez que nos descobrimos ignorantes perante algum tema, regredimos ao estado de simples símios que estão aprendendo a aperfeiçoar suas primeiras ferramentas rudimentares.

Os dias podem ser tão excitantes quanto a um molho Tabasco ou tão monótonos quanto a um suco de tomates. Um pouco de vodka e algumas gotinhas de Lea & Perrins e temos um formidável Bloody Mary.

Fascinante a nossa capacidade de manuseio e como a utilizamos de modo precário. Triste tão mais.

Vez ou outra é possível que eu permita que este suco de tomates azede (por vontade própria ou não). E eu não gosto de vodka pura. Resta o Tabasco.